quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O nascimento de uma mãe e um bebê: uma questão humana


Apesar de a questão do parto domiciliar ter saído um pouco do foco da mídia recentemente, a questão veio a conhecimento nacional devido a esse tipo de parto ser proibido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, o que gerou muita indignação nos poucos que defendem esse método de parir.

Resolvi abordar isso hoje porque na nossa sociedade ainda há muitos resquícios machistas, o que atrapalha bastante a liberdade de escolha das mulheres em relação a diversos aspectos, além de que a sociedade é regida por um sistema que visa o lucro até no ar que respiramos (esse fator influi no caso de partos por cesárea darem mais lucro a instituições e profissionais de saúde devido a ser uma cirurgia de grande porte). 

Primeiramente, é melhor eu deixar claro a minha visão de humanismo (esse conceito pode ter duas vertentes distintas), já que o método que eu, particularmente, julgo melhor é o parto humanizado. Sou humanista no sentido de defender os direitos humanos e achar que um dos princípios básicos para o funcionamento da sociedade é o respeito pleno em relação a esses direitos, e que ele se aplique a todos os seres humanos que habitam essa Terra. Porém, não sou humanista no que diz respeito a espécie humana ser mais importante do que outras espécies, não concordo com essa relação de superioridade nossa em relação a outros animais, não classifico o ser humano como mais importante, nem em relação a uma formiga. 

Vamos por partes: qual a diferença entre um parto humanizado, normal e cesárea?



O parto por cesárea é basicamente um procedimento cirúrgico, onde a mãe escolhe uma data e um horário para o seu bebê nascer independentemente de seu corpo dar sinais que está pronto para parir (como contrações, rompimento da bolsa, etc.). Há também há casos que o corpo da mulher dá esses sinais de que o bebê está pronto para nascer, porém muitas mães ainda optam por esse meio já que ele é feito com base em anestesia e não dói nada na hora do parto. Inicialmente, o parto por cesárea surgiu para mulheres grávidas que poderiam ter sérios problemas para a mãe e/ou neném ao parir, ou ainda gestantes com gravidez considerada de risco (cordão umbilical em torno do pescoço do bebê, eclâmpsia e pré-eclâmpsia, etc.), mas o que era para ser um benefício emergencial se tornou o parto mais praticado no Brasil, atualmente representa uma porcentagem esmagadora em relação as outras formas justamente por não gerar dor alguma a futura mamãe e poupar tempo dos médicos, já que não é necessário esperar contrações e outros fatores que encaminham um parto e que consequentemente levam algumas horas até que o bebê possa nascer. Vale a pena salientar que o pós parto da cesárea é a parte que ninguém revela: além de causar muita dor por ser uma cirurgia invasiva, a mãe fica debilitada por aproximadamente um mês ou mais, geralmente necessitando de ajuda de parentes ou profissionais para cuidar do bebê e se cuidar, além da chance de haver uma cicatriz na região da virilha. Algumas pesquisas ainda indicam que partos cesarianos diminuem parcialmente a fertilidade da mulher para gestações futuras devido a ser uma cirurgia de grande porte e traumática a musculatura do útero. 


Já o parto normal é um procedimento parcialmente cirúrgico, onde a mulher recebe uma anestesia leve mas sente todas as contrações, além de ter que fazer sozinha o processo de expelir o bebê para este mundo. Ocorre uma anestesia na coluna vertebral para que tire algumas dores, um soro para aumentar a dilatação e o períneo é cortado para dar mais espaço ao bebê, além de que médicos acompanham todo o procedimento. O pós parto não é ruim, a mãe já tem muito mais liberdade de movimentação por apenas ter alguns pontinhos no períneo, o que é bastante incomodo nas questões fisiológicas pelas próximas semanas.


O parto humanizado consiste em um parto totalmente natural, e como o próprio nome diz, humanizado, com ênfase nessa etapa mágica para qualquer mulher que é a transição de gestante para uma mãe com uma responsabilidade vitalícia, respeitando a vontade plena da mulher e os seus direitos de participar ativamente. Ele pode ser realizado no hospital, em casa, na água, onde a mãe desejar. A mulher não recebe nenhum auxílio externo, nada de anestesias  ou cortes, é ela que vai adaptar o seu corpo para ter o seu filho de forma natural, na posição que ela achar mais confortável, no lugar que ela mais gostar, além de que nesse caso é muito mais fácil os pais babões participarem ativamente, assim eles podem acalmar a mãe em trabalho de parto, depois a mãe já pode carregar e aninhar o seu bebê no colo, amamentar e até ajudar a banhar pela primeira vez. O acompanhamento pode ser feito por médicos, enfermeiros obstetras e doulas, além de garantir a segurança da mãe com todo o monitoramento necessário, e caso ocorra alguma situação de risco, a gestante é removida imediatamente para o hospital. Além disso, o pós-parto é uma grande vantagem: a mãe pode até sair andando com o seu bebê no colo que está tudo bem! É muito mais fácil voltar para a rotina, a dor cessa assim que o bebê nasce, facilita adaptar-se a dedicação ao bebê, cuidar de si mesma para uma boa recuperação, além de não ter dor, cortes ou muito menos qualquer procedimento invasivo.

Eu já escolhi o meu favorito e é esse que vou seguir quando tiver filhos! E vocês, deu para pensar melhor qual você prefere? 

Acho que ainda veremos muito esse assunto na mídia nos próximos meses, acho ótimo porque assim as mulheres ganham um pouco mais de foco em um mundo que aprendemos a ser machistas e quem sabe mudar um pouco esse cenário brasileiro. 

Bruna. (:

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